QR Code em cartão de visita: o que colocar dentro
vCard salva o contato direto no celular e funciona offline; link continua editável. O que codificar no cartão, quanto encurtar e que tamanho ainda lê no papel.
Gere um vCard com quatro campos — nome, um celular, um e-mail, um site —, imprima com 2,5 cm no verso do cartão e escreva o celular e o e-mail em texto legível também.
Isso resolve a maioria dos casos. O resto explica quando não resolve e de onde vem cada um desses números.
vCard ou link para uma página
É a única decisão que realmente importa, e acontece antes de você gerar qualquer coisa.
O vCard é um arquivo de contato que viaja dentro do próprio código. A câmera decodifica, o celular oferece “Adicionar aos contatos” e os dados caem na agenda. Nada é baixado, então funciona no elevador ou no subsolo do centro de convenções sem sinal — veja QR Code funciona sem internet.
Tem um detalhe que pesa muito aqui: o número entra na agenda como celular, e o
WhatsApp reconhece sozinho depois disso. Quem recebeu seu cartão já consegue te
chamar sem digitar nada. Para isso funcionar, grave no formato internacional
completo — +5511987654321, com o código do país e o DDD. Sem o +55, um
contato de outro estado ou de fora do país não consegue ligar.
Um link leva para uma página sua, que você pode mudar quando quiser.
| vCard | Link para página | |
|---|---|---|
| Precisa de conexão | Não | Sim |
| Passos para salvar o contato | 1 toque | 3–4 toques, se a pessoa insistir |
| Dá para mudar depois de impresso | Não | Sim |
| Densidade do código | Alta | Baixa |
| Quebra quando | nunca — ele é autossuficiente | domínio vence, página muda, serviço fecha |
Use vCard quando seus dados são estáveis. Normalmente são. Um número de celular sobrevive a troca de emprego; um e-mail no seu próprio domínio sobrevive a quase tudo.
Use link quando não são. Se você troca de empresa a cada ano e meio, ou se
o número do cartão é um ramal que muda de dono, um link para
seudominio.com.br/marcela é a escolha certa — você atualiza uma página em vez
de reimprimir uma caixa de cartões. Cartão é barato, então reimprimir não é a
tragédia que parece, mas não codifique um dado que você já sabe ser temporário.
Por que vCard 3.0 e não 4.0
Geramos vCard 3.0 (RFC 2426, de 1998) de propósito, mesmo com o 4.0 (RFC 6350) sendo o padrão atual.
O 4.0 é a especificação melhor. Também é importado de forma inconsistente. iOS
e Android tratam o 3.0 de maneira idêntica há mais de dez anos; com o 4.0 o
resultado varia conforme a versão do sistema e o app que faz a importação, e as
falhas são silenciosas: um telefone gravado como URI tel: chega vazio, ou um
campo some sem aviso.
Um cartão de contato que não importa não vale nada, por mais correta que seja a especificação que ele cumpre. Aqui, compatibilidade ganha de correção.
Deixe o cartão curto
Cada campo adicional deixa o código mais denso. Numa superfície desse tamanho, isso não é detalhe.
Um vCard mínimo — nome, um celular, um e-mail, um site — tem cerca de 180 caracteres. Veja quanto custa cada acréscimo, com correção de erro no nível M, impresso a 2 cm:
| O que você codifica | Caracteres aprox. | Módulos | Módulo a 2 cm |
|---|---|---|---|
| Nome, celular, e-mail, site | 180 | 57 | 0,35 mm |
| + empresa e cargo | 225 | 61 | 0,33 mm |
| + endereço | 290 | 69 | 0,29 mm |
| + uma observação curta | 380 | 77 | 0,26 mm |
| Dois telefones, endereço, texto longo | 620 | 93 | 0,22 mm |
Endereço e observação são os piores vilões e justamente os dois que ninguém precisa. Ninguém escaneia cartão para descobrir CEP. Tire os dois e o código perde cerca de um terço dos módulos. E um detalhe que quase todo mundo esquece: acento custa dois bytes em UTF-8, então “São Paulo” e “Comunicação” ocupam mais espaço do que aparentam.
A outra armadilha de densidade é a correção de erro. Subir um vCard de 180 caracteres do nível M para o H leva de 57 para 73 módulos: um terço maior para o mesmo conteúdo. O nível H existe para código que apanha em parede de rua. Um cartão que mora na carteira não precisa disso. Fique no M.
A armadilha do tamanho
Cartão de visita no Brasil é 9 × 5 cm. Sobra pouco espaço, então as pessoas encolhem o código — e é aí que o cartão falha. A 0,22 mm, cada quadradinho preto é mais fino que um fio de cabelo impresso, e duas coisas quebram ao mesmo tempo.
A impressão. Offset bom segura módulo de 0,25 mm; impressão digital ou gráfica rápida, com menos garantia — o ganho de ponto no couché engorda o módulo escuro e fecha o vão branco entre eles. Abaixo de 0,3 mm você está apostando que a gráfica é melhor que a média.
A câmera. O leitor precisa de uns três pixels por módulo, mais foco travado e mão firme. Na distância normal de leitura, um celular atual dá conta de 0,3 mm e sofre abaixo disso. Aparelho antigo ou lente riscada desiste antes.
Ou seja: 0,4 mm para cima funciona, 0,3 mm é sorte, e 0,22 mm falha com frequência suficiente para não compensar o espaço economizado.
Fazendo a conta ao contrário: um vCard de 180 caracteres a 2,5 cm dá módulos de 0,44 mm. É essa a recomendação, e é por isso que a quantidade de campos importa — tamanho e conteúdo são a mesma decisão. A aritmética completa está no guia de tamanho mínimo.
Onde colocar no cartão
No verso, quase sempre. A frente é do nome e da marca, e um código ali briga com os dois. O verso costuma estar quase vazio.
Longe da faca. Gráfica corta com tolerância de 1 a 2 mm. Um código a 2 mm da borda pode voltar com a zona de silêncio raspada de um lado, e só isso já impede a leitura. Respeite a área de segurança e deixe 5 mm livres.
Com a zona de silêncio inteira. Quatro módulos de margem branca em todos os lados — cerca de 1,8 mm com módulo de 0,44 mm. Não é enfeite: o leitor usa essa margem para encontrar o código, e designer corta isso o tempo todo.
Nunca em cima da dobra. Um vinco atravessando o desenho mata o código, e vinco concentra desgaste: o que lia no primeiro dia para de ler depois de um mês no bolso.
Acabamento
- Fosco, não brilho. Laminação BOPP brilho e verniz localizado refletem a luz do teto direto na câmera e apagam regiões inteiras do desenho. BOPP fosco custa o mesmo.
- Escuro sobre claro. Preto no branco é o ideal, azul-marinho sobre off-white funciona. Código claro em fundo escuro inverte o contraste e vários leitores simplesmente recusam. Módulo colorido come um contraste que a 0,44 mm você não tem sobrando.
- Teste a prova impressa. Não o PDF, não a tela. Escaneie o cartão físico com um iPhone, um Android e o Google Lens, sob a luz normal do escritório. Leva um minuto e é o único teste que vale.
Escreva os dados em texto também
Coloque o celular e o e-mail no cartão em texto legível, ao lado do código.
Nem todo mundo escaneia. Tem gente com câmera trincada, gente com celular antigo, gente que recebe o cartão numa hora em que puxar o telefone fica estranho, e muita gente que simplesmente não vai fazer isso. Um cartão que só funciona por máquina falha com boa parte de quem o recebe.
O código é atalho para quem quer atalho. Não substitui a informação.
A montagem, em ordem
- Gere um vCard com quatro campos: nome, celular, e-mail, site.
- Deixe a correção de erro no M.
- Coloque no verso, 5 mm longe do corte e fora de qualquer dobra.
- Imprima com no mínimo 2,5 cm, com zona de silêncio de quatro módulos.
- Acabamento fosco, escuro sobre claro, com o celular e o e-mail em texto ao lado.
- Escaneie a prova física com iPhone, Android e Google Lens antes de fechar a tiragem.